antese
é como chamam à abertura da flor
que depois de madura e pronta
lança no ar o pólen
já para o fecho
ninguém lhe pôs um nome
diz-se só que murcham
SOBRE O AUTOR
Miguel Oliva Teles faz da observação uma serenidade, da passagem pelas coisas uma cumplicidade. É a gramática do convite. E nela, corre a importância das pequenas coisas, um toque de luz, um nada de brisa, muitos diminutivos, um restinho de dia, mansinho, baixinho, bichinho, até retângulozinhos. Tanto em tão pouco, a possibilidade da desproporção, de que o espelho mágico é mero divertimento, na verdade o ínfimo traz o universo todo dentro dele, ou a sua possibilidade, ou a do seu sentido. Basta escorregar pelos seus interstícios (...).
A poesia de Miguel Oliva Teles é um convite ao interlúdio, em que se entra, amavelmente, pelas infimidades generosas que o mundo nos traz.”
Excerto do posfácio de André Barata
66 páginas
Capa e paginação; Miguel Santos
Revisão: Príncipe Anarquista

